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baú das alembranças

baú das alembranças

Os ciganos e eu

As empresas não os aceitam e eles não as procuram.

Eu fui electricista da Construção Civil e numa das últimas obras em que trabalhei, trabalhava um cigano a quem por vezes na brincadeira eu chamava de traidor à raça.

Ele confirmava que no meio era mesmo considerado traidor, mas que se estava marimbando porque era a trabalhar nas obras que ganhava para alimentar e educar dois filhos, pagar água, electridade e renda de casa e que não os queria ver mais tarde a viver na piolhice e na indigência da sua raça.

No meio da década de 80 andei a trabalhar na montagem da Soporcel na Figueira da Foz, houve necessidade de pontualmente contratar bastante pessoal indiferenciado e apareceram dezenas de ciganos para trabalhar.

Os ciganos tem é códigos que os leva a não quererem ligações contratuais e trabalhos de longa duração. Mas na região de Odemira, Cercal ou São Teotónio trabalham muitos ciganos na agricultura. Apanha de fruta ou hortaliças. Não há muitos anos que na zona onde vivo, vi muita criança com fome. Mas fome mesmo a sério. e qualquer pessoa com um pingo de cultura te obrigação de achar que é degradante até para si próprio.

Felizmente isso acabou. O estado tem a obrigação de não deixar que isso aconteça, mesmo que isso seja pago com os nossos impostos.

Como se costuma dizer, o hábito faz o monge e aqui na Buraca onde vivo, Os mesmos ciganos que viviam em barracas imundas sem água da companhia nem electridade e andavam na rua andrajosos, porcos, maltrapilhos e cheio de fome, são ou eram praticamente os mesmos ou ascendentes daqueles que hoje vivem no mesmo local em prédios sociais da Câmara de Lisboa e que hoje saem à rua asseados e bem alimentados.

Continuam a fazer vida separada das outras comunidades mas mesmo assim mais sociáveis.

É uma questão cultural

.
 
 
 

Aldeia de Couchel

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Couchel

  • Couchel é uma aldeia pertencente à Freguesia de Santo André, concelho de Vila Nova de Poiares e Distrito de Coimbra.
  • Encontra-se junto à Estrada da Beira ou EN 17, a cerca de 22 Klm de Coimbra.
  • Tem três quintas de razoável dimensão e cerca de trinta casas habitadas ou habitáveis
  • É uma aldeia pequena mas deve ser uma das que tem maior densidade populacional.
  • Tem mais de 60 moradores residentes e vários moradores que vão e vem.
  • Nos últimos dez a quinze anos instalaram-se ou fixaram-se na aldeia vários casais e famílias jovens, mercê de uma requalificação particular feita por um ex emigrante, praticamente fiho da terra, "Urbano Francisco", que foi comprando as casas na sua maioria em rúinas e as foi reconstruindo dando à aldeia uma nova dinâmica.
  • Nos últimos trêsanos nasceram bebés na aldeia,(3) tem jovens no ensino primário,(4) secundário (3) universitário (3) e licenciados (6)
  • Coisa que nunca tinha acontecido.
  • Já houveram mais, mas também há várias famílias de estrangeiros que se mudaram e fixaram residência na nossa aldeia.
  • Mas apesar disso, quem não conhece e passa pela aldeia acima ou abaixo pode ser induzido em erro e pensar que é uma aldeia deserta em virtude de raramente se verem pessoas na rua e o estado do pavimento da rua principal se encontrar bastante  degradado.
  • Durante todo o ano acontecem várias roturas na canalização de abastecimento de água que são reparadas pontual e localmente.
  • Nós sabemos que verba é uma coisa que existe em pouca quantidade mas é urgente intervencionar e requalificar as ruas desta  aldeia.
  • É opinião minha, mas penso que a pavimentação da estrada entre Vale de Vaz e Couchel não seja tão prioritária como a própria rua principal e as ruas que lhe dão acesso assim como o acesso e o largo da capela.
  • Embora Couchel não possua um grande espólio mas como com mais ou menos esforço da população e da autarquia já se procedeu à requalificação da capela e do largo que lhe é adjacente, procedeu-se à requalficação do bar e do palco e à construção de WC público, gostariamos de ver requalificadas as duas fontes públicas, uma de bica, outra de mergulho e as alminhas, que apesar de se encontrarem em terrenos privados, pertecem ao povo por tradição.
  • Esta aldeia, como a maior parte das aldeias do conceho, em pleno Sec. XXI não tem esgotos. sendo que estes se fazem para os quintais, para fossas antigas que de aséptico não tem nada e que polúem livremente a água dos poços existentes na zona.
  • Está no entanto de pé a promessa da autarquia que este mesmo ano de 2017 Couchel levará uma intervenção de fundo com a colocação de placas toponímimicas, colocação de rede de esgotos e renovação de rede de abastecimento de água e requalificação de pavimentos.

 

 

 

 

 

A nossa RTP



MUITO BEM



A RTP 1 Canal Público de Televisão, pago com os quatrocentos milhões de euros dos nossos impostos sacados do nosso bolso à força, consegue o milagre de passar os meses de verão a pagar os salários milionários aos seus apresentadores da treta mas sem gastar um cêntimo em programação de jeito.



Quatro horas de transmissão directa da volta à França, volta a Portugal ou volta à Itália em Bicicleta e mais seis a dez horas em transmissão directa de um festival de rock que é uma gigantesca acção de propaganda das operadoras de telecomunicações.



Despesas: um comentador durante quatro horas a falar da volta e dois ou três jovens a apresentar o festival que se calhar nem ganham salário nem tem contrato de trabalho.



Ah... Nós continuamos a pagar a taxa de audiovisual.



Como foi instituída por decreto lei, se não pagar-mos o mais certo é moverem-nos uma penhora por crime de fuga aos impostos.



Eu posso sempre mudar de canal!? Ah pois posso mas os outros pago-os e tenho-os porque posso e quero.



A RTP, Canal Público de Televisão, ninguém me pergunta se posso ou quero.



Tenha eu um contrato com a EDP para fornecimeno de electricidade e sou obrigado a pagar a taxa de audiovisual, mesmo que o contrato de fornecimento de electricidade seja para uma escada de um prédio, uma garagem, uma cabine de rega ou um barracão de arrumos.


Os piroverões

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Para mim que sou leigo e tenho a 4ª clase feita aos dez anos numa escola primária numa aldeia encravada numa das encostas da serra da Lousã isto não passa de um autentico arrazoado sem ponta por onde se lhe pegue.
Acho até que já se tinha falado qualquer coisa sobre as causas da emigração no Sec XX. e a culpa dos eucaliptos.
O homem até pode ser uma sumidade como biólogo mas ou está senil e já não diz coisa com coisa, ou então aos setenta anos ainda vê o mundo da janela do quarto ou ainda, andou setenta anos a ver os passarinhos e as borboletas a acasalar e a pensar que os bebés vinham de França no bico das cegonhas.
Tenham dó!...

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Antes da última glaciação, Portugal estava coberto por uma floresta sempre-verde (laurisilva). Durante essa glaciação a descida drástica da temperatura fez desaparecer quase por completo essa laurisilva, tendo sido substituída por uma cobertura florestal semelhante à actual taiga. Após o período glaciar, a temperatura voltou a subir, ficando o país com um clima temperado como o actual. Assim, a floresta glaciar foi substituída por florestas mistas (fagosilva) de árvores sempre-verdes (algumas delas relíquias da laurisilva) e outras caducifólias, transformando o país num imenso carvalhal caducifólio (alvarinho e negral) a norte, marcescente (cerquinho) no centro e perenifólio (azinheira e sobreiro) para sul, com uma faixa litoral de floresta dominada pelo pinheiro-manso e os cumes das montanhas mais frias com o pinheiro-da-casquinha (relíquia glaciárica). Por destruição dessas florestas, particularmente com a construção das naus (três a quatro mil carvalhos por nau) durante os Descobrimentos (cerca de duas mil naus num século) e da cobertura do país com vias férreas (travessas de madeira de negral ou de cerquinho para assentar os carris), as nossas montanhas passaram a estar predominantemente cobertas por matos de urzes ou torgas, giestas, tojos e carqueja. A partir do século XIX, após a criação dos "Serviços Florestais", foram artificialmente re-arborizadas com pinheiro-bravo, tendo-se criado a maior mancha contínua de pinhal na Europa. A partir da segunda década do século XX, apesar dos alertas ambientalistas, efectuaram-se intensas, contínuas e desordenadas arborizações com eucalipto, tendo-se criado a maior área de eucaliptal contínuo da Europa. Sendo o pinheiro resinoso e o eucalipto produtor de óleos essenciais, produtos altamente inflamáveis, com pinhais e eucaliptais contínuos, os incêndios florestais tornaram-se não só frequentes, como também incontroláveis. Desta maneira, o nosso país tem já algumas montanhas transformadas em zonas desérticas.
Sempre fomos contra o crime da eucaliptização desordenada e contínua. Fomos vilipendiados, maltratados, injuriados, fomos chamados à Judiciária, etc. Mas sabíamos que tínhamos razão. Infelizmente não vemos nenhum dos que defenderam sempre essa eucaliptização vir agora assumir as culpas destes "piroverões" que passámos a ter e que, infelizmente, vamos continuar a ter. Também sempre fomos contra o delapidar, por sucessivos Governos, dos Serviços Florestais (quase acabaram com os guardas florestais). Isso e o êxodo rural (os eucaliptos são cortados de 10 em 10 anos e o povo não fica 10 anos a olhar para as árvores em crescimento tendo, por isso, sido "forçado" a abandonar as montanhas e a ficar numa dependência económica monopolista, que "controla" o preço da madeira a seu belo prazer) tiveram como resultado a desumanização das nossas montanhas pelo que, mal um incêndio florestal eclode, não está lá ninguém para acudir de imediato e, quando se dá por ele, já vai devastador e incontrolável.
Infelizmente vamos continuar a ter "piroverões" por mais aviões "bombeiros" que comprem ou aluguem. Isto porque, entre essas medidas, não estão as duas que são fundamentais, as que poderiam travar esta onda de incêndios devastadores que nos tem assolado nas últimas décadas. Uma, é a re-humanização das montanhas, que pode ser feita com pessoal desempregado que, depois de ter frequentado curtos "cursos de formação" durante o Inverno, iria vigiar as montanhas, percorrendo áreas adequadas durante a Primavera e Verão. A outra medida fundamental seria, após os incêndios, arrancar logo a toiça dos eucaliptos e replantar a área com arborização devidamente ordenada. Isto porque os eucaliptos rebentam de toiça logo a seguir ao fogo, renovando-se a área eucaliptada em meia dúzia de anos, sem grande utilidade até porque o diâmetro da ramada de toiça não é rentável para as celuloses. Mas como tal não se faz, essa mesma área de eucaliptal torna a arder poucos anos após o primeiro incêndio e assim sucessivamente. Muitas vezes, essas mesmas áreas são também invadidas por acácias ou mimosas, bastando para tal que exista um acacial nas proximidades ou nas bermas das rodovias, pois as sementes das acácias são resistentes aos fogos e o vento ajuda a dispersá-las por serem muito leves. As acácias, como são heliófitas (plantas "amigas" do Sol), e não havendo sombra de outras árvores após os incêndios, crescem depressa aproveitando a luminosidade e ocupando aquele nicho ecológico antes das outras espécies se desenvolverem.
Mas como vivemos numa sociedade cuja preocupação predominante é produzir cada vez mais, com maior rapidez e o mais barato possível, as medidas propostas são economicamente inviáveis por duas razões: primeiro, porque é preciso pagar aos vigilantes e respectivos formadores; segundo, porque arrancar a toiça dos eucaliptos é muito dispendioso (custa o correspondente ao lucro da venda de três cortes, isto é, o lucro de 30 anos). É bom também elucidar que os eucaliptais só são lucrativos até ao terceiro corte (30 anos). Depois disso, estão a abandoná-los, o que os torna um autêntico "rastilho" ou, melhor, um terrível "barril de pólvora", áreas onde os seus óleos essenciais, por vaporização ao calor, são explosivos e, quando a madeira do eucalipto começa a arder, provocam a explosão dos troncos e respectiva ramada, lançando ramos incandescentes a grande distância. Este "fenómeno" tem sido bem visível nos nossos "piroverões".
Por outro lado, pelo menos uma destas medidas (arranque da toiça e re-arborização ordenada) não tem resultados imediatos mas a longo prazo. Por isso os governantes não estão interessados na aplicação dessas medidas, pois interessa-lhes mais resultados imediatos (as eleições são de quatro em quatro anos...) do que de longo prazo.
Assim, sem resultados imediatamente visíveis e com uma despesa tão elevada, os governos nunca vão adoptar tais medidas. Preferem gestos por vezes caricatos, como distribuir telemóveis aos pastores, mas que nunca não acabarão com os "piroverões".
Finalmente, após a referida delapidação técnica e funcional dos Serviços Florestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo no início e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), esqueceram-se da conveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados a incêndios urbanos.
Se os nossos governantes continuarem, teimosamente, a não querer ver claramente o que está a acontecer, caminharemos rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com a planície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já acontece em vastas áreas de Portugal. Biólogo

 

 

 

A emigração e os eucaliptos



Para mim que sou leigo e tenho a 4ª clase feita aos dez anos numa escola primária numa aldeia encravada numa das encostas da serra da Lousã isto não passa de um autentico arrazoado sem ponta por onde se lhe pegue.



Acho até que já se tinha falado qualquer coisa sobre as causas da emigração no Sec XX. e a culpa dos eucaliptos.



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