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baú das alembranças

baú das alembranças

A Formiga e a Barata

Qualquer semelhança é mera coincidência...
Todos os dias, a formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz.
O gerente gafanhoto estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.
O gafanhoto ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostrados em reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O gafanhoto concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz trabalhava.
O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.
A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente ( sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.
A cigarra, então, convenceu o gerente gafanhoto, que era preciso fazer um estudo de clima.
Mas, o gafanhoto, ao rever as cifras, deu-se conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía:
Há muita gente nesta empresa'.
Agora adivinhem lá quem o gafanhoto mandou demitir?
A formiga, claro, porque andava muito desmotivada, aborrecida e a produção jánão cobria as despesas.

Foto de Adelino Aj Carvalho.

passarinhos fritos

Que pena naquela altura não haver equipamento para filmar à disposição com há agora.
Lembro-me de ter cerca de dez anos andava na quarta classe e aos sábados à tarde juntáva -mo-nos os dezasseis alunos em casa da professora Carmina, num anexo para fazer trabalhos e estudar um bocado.
Estavam a aproximar-se os exames e a senhora entendeu e muito bem que mais uma ajuda era capaz de ser útil.
Eramos doze rapazes e quatro raparigas e quase de certeza, eu devia ser o mais novo da ...tropa fandanga, mas havia alguns com onze, doze e até treze anos.
Quando a professora Carmina dava por findo o ATL distribuía uma fatia de bolo ou pão com manteiga e um copo de leite por cada um e mandava-nos embora para nossas casas nas aldeias em redor.
Mas um dos sábados, já por aí em maio ou junho, o tempo estava quente e limpo e em vez de irmos dar um mergulho ao açude lembrá-mo-nos de ir limpar os ninhos dos pardais que havia no interior do telhado da escola.
Se bem o pensamos, melhor o fizemos.
Juntá-mo-nos nas traseiras da escola cerca das cinco horas da tarde, quatro dos mais espigadotes subiram ao telhado, desviaram quatro telhas, entraram no sótão da escola e limparam os ninhos todos.
Depois foi limpar e lavar a bicharada, um foi a casa buscar uma frigideira, outro foi buscar batatas, outro foi buscar pão, outro foi buscar azeite e toca a fazer uma fogueira para fazer um banquete de passarinhos fritos que nos soube pela vida.
Não foi a fome que nos moveu, mas a aventura foi o melhor de tudo.
Viva a juventude!...
Até porque houve alguém que viu e foi-se chibar para a professora e depois vieram os castigos da praxe.
Nada de importante.
Hoje ía-mo todos parar ao posto da GNR mas naquela altura era assim.
Fize-mos um atentado à natureza e o mundo continuou a rodar sem que daí viesse nenhum mal.
A natureza regenerava-se muito mais depressa do que hoje

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Versos de autor desconhecido

Para quem tiver insónias:

Deixo versos de autor desconhecido com as minhas saudações republicanas, laicas e democráticas. Até amanhã se eu quiser.

Discurso do catedrático a haver

...

(em quadrinhas de mal dizer, para cantar à esquina)

I
Com todo este saber
(Isto é axiomático)
Quando for grande vou ser
Um professor catedrático.

Não sou de grande ciência
Mas sou muito carismático
Vou ser, tenham paciência,
Um professor catedrático

Graças a vistosa finta
Com um drible burocrático
Vou ser, e com grande pinta,
Um professor catedrático.

Não tenho modos de mestre
Sou mais para o autocrático
Mas vou, ao jeito rupestre,
Ser professor catedrático.

A gestão da Tecnoforma
De um modo automático
Só por si, já me transforma
Em professor catedrático.

II
E esta minha voz sonora?
E este meu jeito enfático?
E a minha arte canora?
Sou ou não sou catedrático?

E o meu pendor dogmático?
E o meu pin emblemático?
E o meu talento empático?
E o meu dom democrático?

E o meu quadro idiossincrático?
E o fôlego psicossomático?
E o olhar electrostático?
E o sorriso simpático?

III
Não serei um bom gramático
– Sou até muito assintáctico –
Resolvo de modo prático
Metendo um ano sabático

Queixo-me de reumático
E de um problema hepático
P’ra não falar no ciático
E no síndroma prostático

As escolas são como selvas
Para quem tem dotes escassos
Bem me vai dizendo o Relvas:
“Vai mas é estudar, ó Passos!”

Não gostaram do meu esquema?
(Eu sou um tipo esquemático)
É vosso, esse problema.
Por mim, vou ser catedrático

a) Autor desconhecido

Mia Couto

UM DIA ISTO TINHA QUE ACONTECER (por Mia Couto)

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificul...dades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Brasileiros

Mas chegam cá muito bem informados das regalias concedidas a cidadãos vindo do país dito irmão. Conheço alguém e não é caso isolado que chegou cá sem trabalho e sem profissão, pediu, chorou e voltou a pedir a tudo quanto era instituição, arranjou habitação paga pela autarquia e subsídio de apoio dado pela Segurança Social de cerca de 300 euros. Hoje vai dormir a uma casa particular e tomar conta de uma senhora onde ganha 600 euros, faz limpezas em várias casas particulares du...rante o dia onde ganha mais 600 euros mas trabalha não declarada, tem uma habitação da Câmara onde nem a água paga e a receber o subsídio do estado. Trazem a escola toda para viver à conta do estado e ao abrigo da lei até querem trazer a família. Afinal não são só os ciganos. Este alguém declara que vive só mas tem um companheiro tem neste momento um rendimento mensal de cerca de 1.500 euros limpos sem qualquer encargo, e continua numa habitação paga pela autarquia. Mas isto são centenas. Eu trabalhei, paguei impostos e descontei para a SEG SOCIAL durante 46 anos, sou reformado e continuo a pagar impostos e se quero ter habitação pago renda. Se eu me quiser fixar em qualquer país da europa a seg social vai todas as semanas a minha casa ver como é que eu vivo, quem quiser viver à mergem da lei vem viver para Portugal.

Teorema de Pitágoras

Não me lixem, mas a mim na escola nem o teorema de pitágoras me ensinaram porque só frequentei a escola até à sexta classe, mas existem milhões de pessoas licenciadas e doutoradas que também nunca o aprenderam porque passaram nas disciplinas de matemática como gatos por cima de brasas.
Mas se tivessem ensinado o teorema de Pitágoras como me ensinou o meu amigo, havia muito mais gente a sabê-lo:
Então é assim:
O Pitágoras vivia na Grécia e era casado com uma mulher chamada Nusa.
Um dia teve se ausentar para longe e por muito tempo ao mesmo tempo que se instalou na zona um regimento de marinheiros, que deu aso a que a Nuza começasse a andar enrolada com quatro cadetes do regimento.
Quando o Pitágoras regressou e deu com a situação matou a Nuza e os quatro cadetes.
Foi para o quintal, devidiu-o em dois quadrados e enterrou a Nuza num deles.
Depois dividiu o outro quadrado em quatro, enterrou os cadetes e foi fumar um cigarro para o monte em frente.
Enquanto fumava e observava o quintal é que reparou que o quadrado da Puta Nuza era igual à soma dos quadrados dos cadetes.
Portanto o Pitágoras não descobriu, não inventou e não criou nada. Foi um simples acaso.

 
Foto de M80 Rádio - Portugal.
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Tarãntula

Isto não parece muito mau , a não ser pelo aspecto do bicharoco que afinal é inofensivo.
Mas isto é tenebroso se imaginar-mos o ruido intenso e constante que se tem de suportar horas e horas até alguém se lembrar de uma solução para obrigar o animal a sair.
A mim, quem me socorreu foi a minha irmã mais velha com uma seringa cheia de água tépida.
Mas sofri como se diz, as passas do algarve durante o tempo em que o bichinho se serviu do meu ouvido como sala de estar.

 
 
 
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O Aeroporto de Poiares

 

Uma verdadeira pérola que eu encontrei aqui perdida no meio de nada.
Não sei quem escreveu esta preciosidade mas peca por curta talvez por
falta de informação
Falta aqui o aeroporto de Via Nova de Poiares, onde em plena Serra de São Pedro Dias, Vidoeiro, Friúmes, foram expropriados dezenas de hectares de floresta de pinheiro bravo, para com máquinas de rasto pertencentes ao Regimento de Engenharia do Exército se procederem a terraplanagens movimentando milhões de metros cúbi...cos de aterros para construir uma pista de aterragem e descolagem a cerca de cinco quilómetros de outra instalada na Lousã há mais de cinquenta anos.
É no entanto de bom tom complementar com o resto da informação:
É que durante, no meio ou no fim da obra alguém viu que se andava a trabalhar para o boneco, uma vez que a pista estava a ser construída no sentido transversal aos ventos predominantes e a obra depois de centenas ou milhões de euros gastos e indemnizações por pagar foi interrompida.
Nem os valores efectuados com a venda das madeiras foram pagos aos proprietários.
Hoje, passados mais de dez anos, os proprietários do terrenos expropriados continuam à espera de ser ressarcidos, os terrenos continuam deserticos sem uma unica árvore plantada, e provocada pela erosão das chuvas metade da serra está transformada em barrocos e saibreiras deslocados.
O ministério do ambiente e do ordenamento territorial o mais certo é não saberem de nada.
A autarquia está-se marimbando.
Não foram eles que fizeram a merda, foram os anteriores autarcas.
Quem vier atrás que feche a porta se ainda houver porta para fechar.
Assim vai o nosso país à mercê de arrivistas e oportunistas chegados ao poder á custa de meia dúzia de canções de embalar.

Ver Mais
Podia chamar-se roteiro da desolação, ou rota da vergonha. Se outras rotas, porventura mais vergonhosas, não marcassem o dia de hoje nos caminhos de Portugal. De Monfortinho, na raia dos contrabandistas sérios, que faziam pela vida e com risco dela em plena ditadura, a Al...
publico.pt
 

Poiares carnavalesco

Por onde anda a alegria festivaleira dos poiarenses?
Estava frio ou acordaram todos com o rabo virado para a lua.
Lembro-me de ainda não há muito tempo ver cortejos carnavalescos com alegria, com animação, carros alegóricos, bandas de música e até ranchos folclóricos.
Este carnaval nada.
Até pensei mais em ser um cortejo fúnebre do que um cortejo carnavalesco.
Os animadores fugiram da chuva e do frio.
Os apresentadores eram fracos ou parecia que andavam contrariados.
E se calhar andavam.
Assim não.
Assim não vale a pena.
Fazer uma coisa só para espetar um frete às ciranças a levá-las a correr as ruas da vila a correr e desorganizadas mais vale ficarem em casa ao quente da lareira, ou então fazerem um desfile no pavilhão Gimnodesportivo para criança ver e mais nada.
Há autarquias noutras partes do país com tanta ou menos população onde a própria autarquia atribui uma verba a cada povoação para apresentarem um carro alegórico de acordo com as suas posses, as suas gentes e a sua criatividade.
Acho que em Vila Nova de Poiares também já se fez isso mas é melhor assim, deixar acabar tudo para depois chorar sobre leite derramado.
Neste momento são 21 horas.
Passadas portanto 12 horas sobre o desfile e o vídeo tem 45 gostos talvez isto diga alguma coisa.

O eucalipto é, por si só, o maior factor de desertificação do país, e a desertificação do país é o nosso problema número um. Não vale a pena falarem em descentralização, nem em ocupação do interior nem em valorização do mundo rural, enquanto estivermos submetidos à ditadura do eucalipto. Juntem a isso o conhecimento, hoje absolutamente indisfarçável, de que o eucalipto é, de longe, o maior factor de deflagração de incêndios: o eucalipto mata. Mata a floresta, mata casas, povo...ações, pessoas. E, como vimos agora, mata rios.
Mata a pesca, a agricultura, a paisagem, o turismo do interior. Com a limpeza dos rios, com as indemnizações às vítimas dos fogos, com os negócios e negociatas à volta do combate aos incêndios, só de custos directos a indústria de celuloses custa uma fortuna aos contribuintes. Mas quem se quiser deitar a pensar quanto mais custa ao país e aos contribuintes o abandono dos campos e a desertificação de todo o interior, rapidamente chegará à conclusão que 1300 milhões não são nada comparados com isso.
Restam os postos de trabalho que se perderiam. Mas chamo a atenção para os estudos recentes que têm vindo a público e que nos dizem que, com a quebra da natalidade e o envelhecimento demográfico galopante que temos, o nosso principal problema em breve vai ser a escassez de dezenas, e logo centenas, de milhares de postos de trabalho na indústria, se quisermos continuar a crescer. Só é preciso ter a coragem de mudar de paradigma. Sairmos de um pensamento de país terceiro-mundista.
O descaramento já atingiu tal ponto que, na semana passada, a revista “Sábado” não só se dava ao luxo de tranquilamente transcrever largas passagens do interrogatório do juiz Carlos Alexandre a Paulo Santana Lopes e José Veiga, visando implicar o juiz Rui Rangel, como também chegava ao ponto de comentar os apartes de Carlos Alexandre, deste género: “Bem ao seu estilo, Carlos Alexandre não resistiu a desabafar…”. Se tamanha intimidade relativamente a uma peça teoricamente alvo do chamado “segredo de justiça” já dá muito que pensar, que dizer do facto de um jornalista da revista, aparentemente acompanhado de um fotógrafo, ter andado a seguir os últimos cinco dias de Rui Rangel, antes de ser despoletada a ‘Operação Lex’, fotografando-o a sair de casa, a entrar no Tribunal da Relação, a sair para um jogo de futebol com amigos, a embarcar no carro na garagem do condomínio, etc.? A PJ ou o MP agora fazem vigilâncias a suspeitos em conjunto com jornalistas da Cofina ou fornecem-lhes “em exclusivo” o material dessas vigilâncias? Independentemente dos suspeitos em causa, com quem eu não gastaria um jantar (mas isso não vem ao caso), muito gostaria de saber se o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, o director nacional da PJ, a PGR, o Conselho Superior do Ministério Público, não acham seu dever dizer uma palavrinha sobre o assunto? Ou já nada os envergonha? E, se já nada os envergonha, o que devemos esperar a seguir?

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 10/02/2018) O eucalipto é, por si só, o maior factor de desertificação do país, e a desertificação do país é o nosso problema número um. Não vale a pena falarem…
estatuadesal.com
 
 
 
 

São Roque-Carlos Esperança

O S. Roque – Crónica (3688 carateres)

Ficou-me de criança a impressão de que a ermida do S. Roque, na margem esquerda do Côa, estava alcandorada num monte enorme e que ao sacrifício da subida se deveria a recompensa dos milagres.

Hoje, ao passar no IP 5, sobre a ponte rodoviária, surpreende-me lá em baixo uma capela exígua abandonada num pequeno cabeço, com a vegetação a apropriar-se da área da devoção e dos negócios. Onde está um chaparro negociava burros um cigano, onde a Lurdes começava às dez a aviar copos de meio quartilho, para terminar às 3 da tarde com o pipo e a paciência devastados, medram giestas e tojos, e o abandono tomou conta do espaço onde estava sediada a feira e se realizava a festa.

Onde os solípedes e as pessoas alcançavam não sobem ainda os automóveis.

Eu gostei, ainda gosto, de romarias. Mesmo com milagres cada vez mais raros, a acontecerem na razão inversa dos louvores, encontramos sempre caras que atraem afetos e nos devolvem memórias. Às vezes não são quem pensámos, os anos passam, são filhos, mas vale a pena, falam-nos do que nós sabíamos, são da terra que julgámos.

Há mais de cinquenta anos, o Rasga foi ao S. Roque com a mulher, ela cheia de fé, ele com muita sede, como sempre, até a cirrose o consumir. A feira e a romaria partilhavam a data e o espaço. Não sei das promessas dela, as mulheres lá tinham contratos com os santos, não era costume explicitá-los, ele tinha as mãos cheias de cravos, coisa de rapaz, julgava que era feitio.

A mulher dissera-lhe que havia de ir ao S. Roque, o Maravilhas curou-se, o Ti Velho também, pelas outras aldeias ia a mesma devoção, os resultados eram de monta. O Rasga até tinha pensado no ferrador, não para ferrar o macho, ele queimava os cravos, mas eram grandes as dores, ficavam as mãos com marcas piores que a cara do Medo com as bexigas, e a febre, às vezes, levava a gente. Já se acostumara, não valia a pena ralar-se, o pior era a mulher a azucrinar-lhe os ouvidos, tens de ir ao S. Roque, se trabalhasses em vez de beberes havias de ver o incómodo, eu faço-te companhia, és um herege, uma oração, uma pequena esmola, dois cruzados, um quartinho no máximo, o S. Roque não é interesseiro, vens de lá bom, levas a burra que já mal pega em erva, enjeita os nabos, não temos feno, há de morrer-nos em casa, além do prejuízo vais ser tu a enterrá-la, podias vendê-la.

E lá foram os três, que a burra também contava, partiram quando a Lurdes e a Purificação já levavam uma légua de avanço, tinham bestas lestas e levantavam-se cedo, era mister que se antecipassem aos homens que, quando chegavam, logo queriam matar o bicho e os negócios não podiam fazer-se sem haver onde pagar o alboroque. O Rasga, mal chegou, pediu três notas pela burra a um da Parada que lhe ofereceu duas, a mulher do da Parada ainda o puxou, homem para que queres a burra, o rachador do Monte meteu-se logo, isto não é assunto de mulheres, tinham que fazer negócio, tem que tirar alguma coisa, não tiro, dou-lhe mais uma nota de vinte, tiro-lhe essa nota, nem mais um tostão, e o do Monte a dizer racha-se, vários a apoiar, fica por duas notas e meia, o rachador a agarrar-lhes as mãos, estranha união, e a fazer com a sua um corte simbólico, deram as mãos estava feito o negócio, um tirou cinquenta o outro deu mais cinquenta. Consumada a liturgia logo assomou meia nota de sinal, faltavam duas que apareceriam quando lhe entregasse o rabeiro, vai uma rodada, paga o vendedor que recebeu o dinheiro, primeiro um copo para o comprador, o rachador a seguir, depois para todas as testemunhas, outra rodada paga o comprador, outra ainda, esta pago eu, diz um da Cerdeira, não quero mais diz o de Pailobo, morra quem se negue, praguejou um da Mesquitela, olha vem ali o Proença da Malta, grande negociante, como está, disseram todos, uma rodada, pago eu, diz o Proença, mas a minha primeiro, exigiu o da Cerdeira com agrado geral, e ali ficaram a seguir os negócios, os foguetes e a festa, e a tirar o chapéu e a agradecer ao Proença quando este foi dar a volta pelo sítio do gado onde já se encontrava o Serafim dos Gagos a disputar-lhe o vivo e a pôr a fasquia aos preços.

Findas a feira e a festa, esta terminou primeiro, um dos padres ainda tinha de levar o viático a um moribundo de Pínzio, o Rasga e a mulher vinham consolados, ela com a missa e a procissão, ele com duas notas e meia no bolso e o buxo cheio de vinho, ela a pensar na vida e ele a cambalear.

Algum tempo depois perguntei ao Rasga o que era feito dos cravos. Ficaram no S. Roque, menino, ficaram no S. Roque.

In Pedras Soltas – Ed. 2006 (esgotado) – Ortografia atualizada

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adelino Aj Carvalho
Adelino Aj Carvalho S. Roque, Parada, Margem esquerda do Côa. Dizem-me qulquer coisa . Ainda há cerca de um mês andei por essas paragens mas aí já é Trás os Montes bem lá para o alto. Cruzei o IP 5 entre Alfândega e Mogadouro e vise-versa e desci pela serra abaixo mas a meio do caminho desisti de visitar a igreja de S.Roque.

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