Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

baú das alembranças

baú das alembranças

Um homem sem memória

O homem sem memória fica sem história

Carlos Matos GomesA comunicação de Cavaco Silva, de 22 de outubro, a indigitar Passos Coelho para primeiro-ministro é um involuntário tratado sobre o absurdo. A arenga de um homem que perdeu a memória e desconhece a história do seu país, mesmo aquela do tempo que viveu.

Cavaco Silva apresentou como argumentos para recusar um governo do Partido Socialista com o apoio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista que estes partidos eram contra a NATO e não eram “europeístas”, por serem contra o Tratado Europeu e a Moeda Única, o Euro.

Esqueceu-se de que só em 1990 se converteu à igreja “europeísta”. Até aí tinha sido um eurocético, aliado de Margaret Thatcher e, tal como ela, defensor de que a Europa não fosse além um Mercado Único, sem união económica e monetária, sem euro.

Só os planos conhecidos por Quantum I e II (1990-1995) promoveram a sua adesão àquilo que viria a ser a sua conversão ao “europeísmo”.  Quanto a europeísmo, Cavaco é um cristão-novo, com o típico excesso de fanatismo e de descaramento dos recém convertidos.

Quanto à NATO, Cavaco Silva ignora que Portugal entrou para a Aliança Atlântica porque os Estados Unidos necessitavam de bases nos Açores e não por Portugal ser uma democracia europeia, ou por o governo de Salazar ter sido um aliado dos Aliados na II Guerra.

 

 

A NATO não contribuiu para a instauração de um regime democrático em Portugal. Antes pelo contrário, os ingleses e os americanos preferiram apoiar Salazar após o fim da guerra com medo de que a oposição viesse a integrar comunistas e socialistas. O insucesso da tentativa de golpe de 1947 (Abrilada de 47) é a prova. Tivesse Cavaco Silva lido, ou pedido que lhe lessem, as memórias do embaixador inglês em Lisboa, Ronald Campbell, e ficaria informado. A Espanha, uma ditadura, como Portugal, porque não tinha os Açores, ficou de fora da NATO. Em suma, não pertencemos à NATO por mérito democrático, mas geográfico: temos os Açores.

Cavaco Silva não conhece a História de Portugal da época da II Guerra Mundial e do pós-guerra, mas custa acreditar que tenha esquecido personalidades com quem privou durante os anos 80 e 90 em que foi primeiro-ministro e que foram responsáveis pelas decisões que conduziram ao que classificou de “europeísmo” .

Comentar:

CorretorEmoji

Notificações de respostas serão enviadas por e-mail.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D