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baú das alembranças

baú das alembranças

Poiares carnavalesco

Por onde anda a alegria festivaleira dos poiarenses?
Estava frio ou acordaram todos com o rabo virado para a lua.
Lembro-me de ainda não há muito tempo ver cortejos carnavalescos com alegria, com animação, carros alegóricos, bandas de música e até ranchos folclóricos.
Este carnaval nada.
Até pensei mais em ser um cortejo fúnebre do que um cortejo carnavalesco.
Os animadores fugiram da chuva e do frio.
Os apresentadores eram fracos ou parecia que andavam contrariados.
E se calhar andavam.
Assim não.
Assim não vale a pena.
Fazer uma coisa só para espetar um frete às ciranças a levá-las a correr as ruas da vila a correr e desorganizadas mais vale ficarem em casa ao quente da lareira, ou então fazerem um desfile no pavilhão Gimnodesportivo para criança ver e mais nada.
Há autarquias noutras partes do país com tanta ou menos população onde a própria autarquia atribui uma verba a cada povoação para apresentarem um carro alegórico de acordo com as suas posses, as suas gentes e a sua criatividade.
Acho que em Vila Nova de Poiares também já se fez isso mas é melhor assim, deixar acabar tudo para depois chorar sobre leite derramado.
Neste momento são 21 horas.
Passadas portanto 12 horas sobre o desfile e o vídeo tem 45 gostos talvez isto diga alguma coisa.

O eucalipto é, por si só, o maior factor de desertificação do país, e a desertificação do país é o nosso problema número um. Não vale a pena falarem em descentralização, nem em ocupação do interior nem em valorização do mundo rural, enquanto estivermos submetidos à ditadura do eucalipto. Juntem a isso o conhecimento, hoje absolutamente indisfarçável, de que o eucalipto é, de longe, o maior factor de deflagração de incêndios: o eucalipto mata. Mata a floresta, mata casas, povo...ações, pessoas. E, como vimos agora, mata rios.
Mata a pesca, a agricultura, a paisagem, o turismo do interior. Com a limpeza dos rios, com as indemnizações às vítimas dos fogos, com os negócios e negociatas à volta do combate aos incêndios, só de custos directos a indústria de celuloses custa uma fortuna aos contribuintes. Mas quem se quiser deitar a pensar quanto mais custa ao país e aos contribuintes o abandono dos campos e a desertificação de todo o interior, rapidamente chegará à conclusão que 1300 milhões não são nada comparados com isso.
Restam os postos de trabalho que se perderiam. Mas chamo a atenção para os estudos recentes que têm vindo a público e que nos dizem que, com a quebra da natalidade e o envelhecimento demográfico galopante que temos, o nosso principal problema em breve vai ser a escassez de dezenas, e logo centenas, de milhares de postos de trabalho na indústria, se quisermos continuar a crescer. Só é preciso ter a coragem de mudar de paradigma. Sairmos de um pensamento de país terceiro-mundista.
O descaramento já atingiu tal ponto que, na semana passada, a revista “Sábado” não só se dava ao luxo de tranquilamente transcrever largas passagens do interrogatório do juiz Carlos Alexandre a Paulo Santana Lopes e José Veiga, visando implicar o juiz Rui Rangel, como também chegava ao ponto de comentar os apartes de Carlos Alexandre, deste género: “Bem ao seu estilo, Carlos Alexandre não resistiu a desabafar…”. Se tamanha intimidade relativamente a uma peça teoricamente alvo do chamado “segredo de justiça” já dá muito que pensar, que dizer do facto de um jornalista da revista, aparentemente acompanhado de um fotógrafo, ter andado a seguir os últimos cinco dias de Rui Rangel, antes de ser despoletada a ‘Operação Lex’, fotografando-o a sair de casa, a entrar no Tribunal da Relação, a sair para um jogo de futebol com amigos, a embarcar no carro na garagem do condomínio, etc.? A PJ ou o MP agora fazem vigilâncias a suspeitos em conjunto com jornalistas da Cofina ou fornecem-lhes “em exclusivo” o material dessas vigilâncias? Independentemente dos suspeitos em causa, com quem eu não gastaria um jantar (mas isso não vem ao caso), muito gostaria de saber se o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, o director nacional da PJ, a PGR, o Conselho Superior do Ministério Público, não acham seu dever dizer uma palavrinha sobre o assunto? Ou já nada os envergonha? E, se já nada os envergonha, o que devemos esperar a seguir?

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 10/02/2018) O eucalipto é, por si só, o maior factor de desertificação do país, e a desertificação do país é o nosso problema número um. Não vale a pena falarem…
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