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baú das alembranças

baú das alembranças

Os dados da Pordata e a minha realidade

Mesmo assim eu ponho sérias reservas.
Eu tive uma vida de trabalho remunerado que se saldou por 52 anos.
Eu pertenci à tal base média dos trabalhadores já que o meu ordenado e da minha companheira rondava os 1. 500 euros.
Por essa lógica dos 200 anos igual a poupanças de um milhão de euros, no fim de cinquenta anos eu deveria ter poupanças de 250.000 €, mas a verdade é que:
Com as despesas inerentes ao sustento de uma casa de família, ao pagamento da renda de casa, às despesas da água, do gaz, da
electricidade, do telefone, dos impostos, ao crescimento e à educação de um casal de filhos, a verdade é que no fim de uma vida activa e contributiva, no banco não restaram poupanças nenhumas dignas desse nome.
E nem sequer eu e a minha companheira podemos ou devemos ser acusados de maus gestores, porque para gerir o orçamento doméstico quase sempre foi preciso fazer alguma ginástica.
Posto isto, acho que mais de três milhões de famílias portuguesas compreendem o que quero dizer.

 
Uma Página Numa Rede Social
16 h ·

Dêem-nos dois minutos de atenção, por favor. Prometemos que fá-los-emos valer a pena.

Segundo dados da Pordata, a remuneração de base média dos trabalhadores portugueses é pouco superior aos 900 euros. Em 2014, era de 904,5 euros, para sermos exactos. Façamos as contas por alto e digamos que um agregado familiar médio em Portugal tem 2000 euros de rendimento disponível por mês. Agora, suponhamos que este casal médio tem um filho. Segundo dados da Pordata, o índice sintético de fecundidade, que afere a média de filhos por mulher em idade fértil, determina que as mulheres portuguesas tiveram cerca de 1,3 filhos, em 2015.
Portanto, neste cenário, temos um casal português com um filho e que aufere, em conjunto, cerca de 2000 mil euros/mês.
Sejamos extraordinariamente optimistas e digamos que, após todas as despesas fixas e variáveis estarem pagas, este casal consegue poupar cerca de 1000 euros por mês. Ou seja, após todas as despesas com renda, ou empréstimo para habitação, com alimentação, contas da casa, educação, transporte, vestuário, imponderáveis, etc., este felizardo casal com um filho ainda consegue pôr de lado 1000 euros/mês, que corresponde a 50% do seu rendimento.
Neste cenário, este casal conseguiria poupar cerca de 12000 euros/ano. Ou seja, para alcançar os 500 mil euros em património, que eventualmente poderá ser considerado para o agravamento do imposto em estudo pelo Governo, o casal do nosso cenário demoraria mais de 40 anos para alcançar este escalão. Portanto, só após 40 anos de total estabilidade e com a vida a correr mesmo muito bem é que um agregado familiar médio teria de pagar um imposto que ainda nem sequer foi decretado e que, se for, provavelmente já nem existirá daqui a dez anos, quanto mais daqui a 40.

Mas preparem-se, a parte realmente fofa vem agora. Segundo os dados do INE, as famílias portuguesas só conseguem poupar cerca de 10% do seu rendimento disponível. No nosso cenário, extraordinariamente optimista, o casal descrito poupava 50%. Portanto, sendo realistas, em média, um casal que tenha 2000 euros de rendimento disponível por mês só conseguirá poupar cerca de 2400 euros por ano (e não 12000). Neste cenário, um casal normal em Portugal demoraria mais de 200 anos a alcançar o nível de poupança necessário para poder comprar imóveis no valor do escalão que está a ser considerado para aplicação do novo imposto.

Vamos repetir isto, para que fique bem claro: com um cálculo simples, que considera os dados da Pordata e do INE, é possível determinar que um casal perfeitamente comum em Portugal demoraria mais de 200 anos a alcançar o nível de poupança necessário para poder comprar imóveis no valor do escalão que está a ser considerado para aplicação do novo imposto.

200! Anos!

José Gomes Ferreira e a Milícia de Defesa dos Ricos não são só intelectualmente desonestos. Eles são bem piores que isso. São uns fofos, vá.
Ironicamente, esta polémica toda começa a ser realmente produtiva, pois está a mostrar a verdadeira cor desta malta, e os interesses que fanaticamente defendem.
Uma Página Numa Rede Social
#somostodosclassemedia

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