Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

baú das alembranças

baú das alembranças

Madre paula de odivelas Um pouco de história

Madre Paula de Odivelas – Uma madame!
Madre Paula de Odivelas de seu nome Paula Teresa da Silva e Almeida, foi a amante mais famosa de El Rei D. João V, de quem teve vários filhos, era neta de um alemão, guarda do imperador Carlos V, que se estabeleceu em Lisboa como ourives e de um marinheiro Napolitano, porque sim nessa altura Lisboa era uma cidade cosmopolita, o pai de Paula seguiu a profissão de ourives e tinha então 3 filhas, a Paula Teresa, a Maria Micaela e a Leocádia Felicia (é o que eu digo ainda falam das Cárinas Andreias e das Solanges Vanessas).
A Maria Micaela tornou-se noviça, a Leocádia Felicia, passou por lá mas não professou como freira tendo-se casado com um Morgado (assim o grau mais baixinho da nobreza), Paula Teresa decidiu ir também para o Convento de São Dinis em Odivelas, com 16 anitos, parece que foi escolha do pai.
Acontece que o Convento de Odivelas era assim tipo o Casino do Estoril ou coisa que o valha na época, e a nobreza frequentava o local por tudo e por nada a começar por fazer grandes festas, pela altura em que se tornou a moça freira existiu lá uma festa, Desagravo do Santíssimo Sacramento (olha a desculpa), com um jantar magnifico a que assistiu toda a nobreza, entre eles D. Francisco de Portugal, 8º Conde do Vimioso que catrapiscou logo a moça, fresquinha, mas o Rei também lá ia porque tinha como amásia outra freira, Madalena, de quem teve um filho, mas quando viu Paula Teresa, o Conde do Vimioso teve de dar de frosques começando assim um romance, o Rei disse-lhe “Deixa a Paula e dou-te das freiras à escolha!”, assim como assim mais vale duas na mão do que uma a avoar…
Teresa Paula passou a ser amante do Rei, foi promovida a Madre, conseguiu benesses para si e para a família toda, borrifava-se para os deveres religiosos, era uma moça de resposta pronta na ponta da língua e ficou conhecida por uma certa arrogância, parece que uma vez que umas senhoras nobres não se levantaram à sua passagem como deviam fazer a uma Madre Superiora disse logo “Não se levanta de graça quem se deita por dinheiro!”
Pronto o Rei atribui-lhe de pensão a ela e seus descendentes 210 mil reis anuais, que para a época era um dinheirão, atribuiu ao pai dela a Ordem da Cruz de Cristo (isto faz-me lembrar qualquer coisa…) e mandou construir dentro do Convento uns aposentos para a moça que têm direito a registo na Biblioteca Nacional, talhas douradas de fartura, “leito da moda”, assentos de veludo amarelo, santos de prata maciça, cortinas bordadas a ouro, roupas de cama e corpo do melhor (Prada, Chanel, Dior, etc…), inclusive uma banheira de prata dourada maciça …para além disso tinha 9 criadas!
Os aposentos não ficaram para a posteridade foram destruídos pelo sismo de 1755, o Rei manteve-a como amante até ao final dos seus dias e quando ele morreu ela continuou a beneficiar de da pensão e dos aposentos, só passou a cumprir os deveres religiosos, tiveram vários filhos que ficaram todos bem encaminhados na vida, o mais famoso foi D. José de Bragança, um dos meninos de Palhavã, ou seja o Palácio na zona onde agora está mais tijolo menos tijolo a Embaixada de Espanha, onde os bastardos reconhecidos de el Rei eram educados para serem religiosos a fim de expiarem os pecados dos pais (bonito ein?), ora neste caso o Zézinho levou isso a peito e exerceu o cargo de Inquisidor-Mor!
Madre Paula morreu com 67 anos e de certeza com melhor vida do que se não tivesse ido para freira, acresce dizer que a Rainha Maria Ana de Áustria era feia e assim descrita por todos os compêndios, por outro lado era mais velha que D. João, que é descrito como bem-apessoado, Paula é mencionada em vários relatos históricos, biografias, romances, inclusive no “Memorial do Convento” de José Saramago, sempre descrita como muito bela e de personalidade forte
Resta-me umas observações ser mulher naquela altura era ainda mais complicado, não sei a autoria deste sugestivo retrato, mas tenho ideia que a Caras, a VIP, a Nova Gente e a Maria fariam um dinheirão se existissem naquela época, quanto às festarolas do Convento podiam ser a Noite do “Preto & Branco”!

 
 
 
 

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D