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baú das alembranças

baú das alembranças

Figuras típicas e atípicas de Vila Nova de Poiares

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Antes de mais nada quero pedir desculpa mas estes senhores não tem nada a ver com Poiares ou arredores  só utilizei as suas fotos para dar uma ideia do que pretendo. Depois corrijo.

Figuras típicas e atípicas de Vila Nova de Poiares e Arredores?

Gostava de elaborar com a vossa ajuda,uma espécie de colectânea dedicado às figuras típicas ou atípicas que povoam as nossas recordações de infância e adolescência.

Não é minha intenção fazer algo de depreciativo, mas tão só recordar pessoas que saíam fora da normalidade e que vagueavam pelas aldeias e vilas da região, sobrevivendo como podiam, alimentando-se do prato de sopa ou do naco de broa que almas caridosas lhe davam, vestindo a roupa que lhes era oferecida pelas pessoas e dormindo muitas vezes ao relento ou onde os deixavam, em palheiros ou barracões, por vezes no curral dos bois, enrolados em palha ou algum cobertor oferecido pela Cáritas, pela Associação de São Vicente de Paula ou pelas pessoas. O que vestiam ou que comiam era normalmente dado por outros pobres porque os ricos ou mais abastados, normalmenente ao pedido de esmola respondiam com um " Deus o ajude".

Muitas das vezes vi eu correrem com eles  e enquantp uma família pobre era capaz de partilhar a sua parca refeição dando um prato de sopa ou um bocado de broa  os mais abastados tirando raras excepções expulsavam-nos da sua porta.

Lembro-me do Fernando da Moendinha, do Manel do Vilar, do Gregório, do Adelino do Forcado, Da Prazeres de Couchel, do doidinho da Várzea, do Adelino do Forcado, do Augusto da Segundeira. E havia o Gineto da Algaça que se fazia de deficiente mental e fisico mas que era um grande manhoso. 

Trazia normalmente um grande cajado que utilizava como apoio para se deslocar mas uma vez fui a segui-lo em silêncio e ele pensando que estava sozinho colocou o cajado debaixo do braço e deixou repentinamente de cochear.

O Zé Pito de Framilo era outro manhoso. Trabalhar não era com ele e tinha quatro ou cinco filhitos para criar, então andava a pedir com a ninhada atrás dele cheios de fome e mal vestidos.

Não havia assistência social nem CPCJ nem nada dessas coisas que há hoje.

Lembro-me de algumas histórias da minha infância que os adultos alimentavam acerca destas personagens. De alguns deles fugíamos como o diabo da cruz.

Lembro-me do Fernando da Moendinha, que quando andava mais excitado ralhava com todos e tudo o incomodava.

Diziam que era volta de lua

Parece que havia uma história de amor mal resolvida. Eu era pequenito e ouvia no meio dos pinhais os seu gritos de protesto contras tudo e e contra todos e que me metiam um medo de morte.

Até porque trazia sempre um cajado do seu tamanho, o qual levantava acima da cabeça e com que ameaçava as pessoas com quem se cruzava.

Mas que me conste, nunca agrediu ninguém.

Chamava era muitos nomes e dizia muitas asneiras.

O Ti Manel das Linhas, percorria as aldeias em redor com um caixote pendurado ao pescoço por uma corrente de bicicleta e a vender. Vendia fósforos, linhas. fitas de nastro a metro,elásticos, agulhas, desentupidores para o fogão a petróleo alfinetes, palitos ou tabaco. Cigarros kentucky, provisórios, definitivos, mata-ratos ou onças de tabaco holandês. Era sobretudo peculiar o seu grito ao cimo do lugar a anúnciar a chegada.

" Quer nada meu hojiiiim"

Morreu num barracão, acompanhado pelas gentes da aldeia que o aconchegaram na morte como tantas vezes lhe aconchegaram o estômago.

Soube-se mais tarde que tinha bom pé de meia no banco mas à responsabilidade de pessoas da sua confiança. 

Havia a Prazeres de Couchel: andava por lá sem orientação nem apoio, era uma pessoa completamente descompensada, vivia num barracão sozinha pegado com a casa das irmãs que lhe iam dando alguma coisa para comer. Muito pouco já que eram pessoas que viviam praticamente sem nada, na mais completa pobreza. Não havia médico, não havia nada. e a Prazeres quando doente curava-se como se curavam a maior parte das pessoas.

Bebia muito e nas tardes de chuva e frio era frequente vê-la toda encharcada a andar por lá e os homens na sua ignorância enchiam-na de vinho e aguardente até cair e muitas vezes encontrava-mos a Prazeres a dormir na rua debaixo de chuva gelada e completamente bêbeda.

Foi recolhida já no pós 25 de abril na associação e internada numa casa especialmente criada para o efeito e morreu mesmo assim já bastante velhinha.

Havia também o Manel do Vilar, que fazia muito bem de funcionário zelador da autarquia. Eram peculiares sa suas gargalhadas que surgiam do nada e sem qualquer razão aparente.

Quem não se lembra dele vila abaixo e vila acima sempre atento e dilgente e por vezes a vender bilhetes para utilizadores do sanitário instalado no centro da vila ( Se vai fazer chichi não paga nada, se vai fazer outra coisa são dez tostões) Dizia ele.

Claro que ninguém ia fazer outra coisa, a casa de banho era insuportável, não se podia permanecer lá dentro tal era a falta de higiene e a maior parte das vezes não havia água ou estava tudo entupido e nem luz eléctrica tinha.

Não sei qual foi o fim do Manel do Vilar mas acho que morreu atropelado.

E o Gregório?

Incansável o Gregório trabalhava nas obras da câmara penso que de graça, não sei quem o alimentava mas a verdade é que com ele o carro de mão era um autêntico rali sempre a correr e apitar pelo meio dos outros trabalhadores.

Também não sei como foi o seu fim mas penso que também foi recolhido pela associação. e morreu no lar.

Havia o doidinho da Várzea de Gois

Figura imponente que metia medo mas não fazia mal a ninguém.

Eramos pequenitos e víamo-lo chegar ao lugar vestido de fato preto e gravata.

Parava nos cruzamentos, colocáva-se na posição de sentido, ia fazendo a rotação para a direita e fazendo continência para todas as saídas do cruzamento. Se apanhava a porta da rua aberta ou no trinco entrava pela casa dentro até encontrar alguém e colocando-se atrás da pessoa que encontrava pedia café. Lá comia um prato de sopa e um bocado de broa e saía como entrou. A única coisa que pronunciava era, café.

Nem por favor, nem obrigado, nem nada. Era cada susto, estar uma pessoa sozinha em casa e de repente olhava para trás e lá estava ele.

O Zé Pito era de Framilo. Manhoso e calinas quanto baste, com uns poucos de filhotes e a viver com uma pobre mulher que se alimentavam da fome, da indigência e da negligência viviam como animais selvagens, fazia biscates e recados a quem lhe pedia mas era mais normal encontrá-lo de saco às costas a pedir esmola para dar comer à companheira e aos filhos.

Na Marmeleira, Ponte Velha, havia a familia dos Sinoites, bêbados mas trabalhadores, trabalhavam à jorna na agricultura a cavar e a roçar mato.

Ainda há o Tiago de Vale de Vaíde, mas esse é um finório. vive da pensão da Segurança Social, 260 mocas, almoça na Assistência Social, a irmã cuida  dele, da sua higiene e do seu bem estar. Passa o tempo a passear e calcorreia quilómetros para todo o lado. É frequente encontrá-lo a caminho da vila ou a caminho da Lousã ou no seu regresso. e passa grande parte do tempo na pesca de rio onde raramente apanha um peixe. 

Se ficou algúm por mencionar e acharem útil, fica por vossa conta. Mas não encerro o rol sem fazer jus ao Celestino Escaldatário também conhecido como o 29

O nome de 29 era uma istória antiga propagandeada e apregoada aos quatro ventos  pelo seu pai, Ti Alberto Escaldatário, que nunca houve a certeza de ter sido verdadeira.

O Celestino não batia bem da caixa dos pirolitos, mas era protegido de muita gente de Poiares e andava sempre impecavelmente vestido, alimentado e limpo nas festas  onde fazia soar uma corneta de latão como as dos antigos carteiros já com décadas de uso.

 

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