Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

baú das alembranças

baú das alembranças

As aventuras do Linito/O atropelamento da carrinha verde

carrinha.jpg

carrinha IIII.jpg

 

As Aventuras do Linito/Atroplamanto invulgar

 Com cinco anos apenas e já não vivendo na casa da Tapada de Vale de Vaz, o Linito que vivia agora em Couchel costumava andar na companhia dos irmãos mais velhos e da avó Adelina lá pelos campos, estradas, caminhos e matas a apascentar as poucas ovelhas e cabras que a familia possuía e levá-las a passear enquanto se alimentavam da erva e arbustos  que se criavam libremente.

O pai tinha ficado com autorização de levar o gado a pastar nas terras onde antes tinha sido caseiro embora já lá estivesse instalada outra pessoa que se dedicava à criação de gado leiteiro e precisava de criar condições para montar uma vacaria.

Quando o outro senhor se instalou na casa onde tinha-mos nascido e vivido, precisou de fazer algumas obras de adaptação para a actividade que queria instalar.

As obras lá corriam no seu  ritmo normal e o Carlos, um dos seus irmãos mais velhos, já com treze anos andava a trabalhar lá como servente de pedreiro para ganhar uns trocos e dar alguma ajuda nas despesas da casa.

O Linito com os seus cinco anitos queria era brincadeira e mandar pedras à pobres das ovelhas e cabras para as desviar para sitios onde poderiam pastar mais à vontade, mas nas suas correrias descobriu que os figos da figueira já estavam comestíveis. 

Estávamos na época dos figos lampos e numa figueira que havia ao fundo do terreno, o Linito e a avó Adelina apanharam meia dúzia de figos para comer na ocasião e então o Linito lembrou-se do irmão que andava do outro lado da estrada a trabalhar na obra.

Agarrou em quatro figos e foi lá presentear o irmão com uma merenda tão expontânea como frugal.

Entregou os figos ao irmão e regressou rapidamente para junto da avó e das ovelhas que tinham ficado no sitio da pastagem.

Todo contente com a façanha de ter ido entregar os quatro figos com que pensava matar a fome  ao irmão regressou a correr e nem se lembrou de fazer cuidado ao atravessar a estrada nacional Nº17 entre Coimbra e a Guarda.

Felizmente que aí por 1952 o transito era reduzido e os carros que passavam eram poucos e ou só de vez em quando.

Mas calhou ir nesse preciso momento a passar uma carrinha verde de dois lugares na direcção de Coimbra e o Linito não teve tempo para nada tal era a velocidade com que vinha a correr ao descer a ladeira que separava a casa da berma de estrada.

Podia ter sido atropelado pela parte da frente e podia ter tido consequências graves, mas não foi. Bateu com toda a força que a velocidade lhe deu, contra a parte lateral da carrinha e estatelou-se no chão.

Nada de grave, a não ser o susto mas a verdade é que o homem que vinha a conduzir saiu rapidamente da carrinha, agarrou no Linito ao colo para o acalmar, mas o Linito que chorava que nem um bezerro desmamado, tremia como varas verdes e começou a mijar-se todo pelas pernas abaixo.

Vieram a correr os trabalhadores da obra, veio a correr o irmão, todo assustado, veio a correr a avó já velhota também toda assustada, o que é natural, mas nada se passou.

São estes episódios sem importância que ficam e marcam as lembranças do que aconteceu numa infância já  remota.

São estes episódios  que ficam, marcam a memória, enraizam-se e permanecem vivos para o resto da vida.   

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D