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baú das alembranças

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Fogos de Pedrogão Grande

     
 

A Origem do Grande Incêndio Florestal de Pedrógão Grande

Muito se tem falado e especulado sobre a origem da ignição e a propagação inicial do Grande Incêndio Florestal de Pedrógão Grande. Uns procuram buscar respostas às inúmeras questões sobre o acontecido e, se de algum modo seria evitável o triste desfecho que vitimou mortalmente 64 pessoas e mais de duas centenas de feridos. Outros, porém, alimentados pelo mediatismo procuram fazer justiça na praça pública e inflamar a opinião dos cidadãos e, na maioria dos casos com um profundo desconhecimento do comportamento do fogo, em geral e, sobretudo sobre incêndios convectivos

Aos olhos do analista, este incêndio tratou-se sem dúvida alguma de um incêndio inédito, dado o domínio de um comportamento convectivo, ou seja, um incêndio conduzido pelo estado fenológico e carga disponível do combustível, e associado a uma instabilidade atmosférica previsível que favorecia e sustentaria a coluna convectiva em caso de incêndio. Este tipo de incêndios, de comportamento extremo do fogo, origina consequentemente elevada complexidade nas operações de controlo e extinção. Não existem grandes receitas, a não ser a proteção de aglomerados. Por alguma razão, os analistas de incêndios americanos denominam de “Hungry Fires”, uma vez que terminam quando acabam com o combustível que os alimenta ou então a situação sinóptica muda e permite que os meios de combate possam exercer manobras eficazes e seguras.

Associado a este tipo de incêndio, ocorrem fenómenos meteorológicos que aumentam a complexidade do controlo, tais como a geração de ventos erráticos, normalmente soprando com intervalos de elevada intensidade e de direção variável. A coluna de fumo (pluma) rapidamente eleva-se verticalmente, sendo tridimensional e muito densa e escura, transportando material incandescente que não se apaga dada a temperatura dentro da coluna, permitindo o lançamento de projeções a longas distâncias e produzindo inúmeros focos secundários em várias direções no raio do incêndio.

ORIGEM PROVÁVEL

O Semanário Expresso de 23 de junho destaca a seguinte manchete «Daniel viu o fogo começar. Ligou para o 112 às 14h38. Tirou-lhe a primeira fotografia. “E não havia trovoada no ar”» e descreve o seguinte: «Daniel Saúde tirou a primeira fotografia ao incêndio 39 minutos depois de ligar para o 112. Diz que esteve uma semana à espera de ser contactado pela PJ – “afinal fui eu que liguei para o 112” – e que por isso vai ser ele agora a ligar à polícia. A história do momento zero do fogo em Pedrógão».

Fonte: http://www.weatherimagery.com

A partir daqui podemos começar a tentar explicar, fundamentando nos dados meteorológicos recolhidos.
Antes de mais importa referir que existem dois tipos de raios – raios negativos e raios positivos.
Normalmente, entre 90 a 95% dos raios são do tipo negativo.
Os raios negativos produzem-se quando a base da nuvem (parte mais escura) está carregada negativamente e a superfície do solo por baixo da nuvem tem uma carga positiva. Neste caso vai produzir-se uma descarga da base da nuvem para o solo.

Alguns raios – os positivos – formam-se no topo da nuvem, na parte branca do cúmulonimbos, onde se concentram as cargas positivas. Nesta situação ocorre uma transferência do topo da nuvem que alcança uma elevada altitude (14 kms) para o solo, sendo os mais perigosos uma vez que podem alcançar uma zona da superfície terrestre a longas distâncias do local da trovoada (entre 30 a 95 kms) e, uma vez que a camada de atmosfera que atravessam é maior, a descarga elétrica pode ser até 10 vezes superior aos raios negativos. Igualmente, importa referir que o fenómeno de queda de raio sem se ouvir o trovão é definido como relâmpago térmico e ocorre com maior frequência no verão.

Fonte: http://teemss2.concord.org

Segundo a agência americana para a observação da atmosfera – NOAA – os raios positivos são considerados responsáveis por uma grande percentagem de incêndios florestais.
Logo, a afirmação de que não se ouviu qualquer trovão não significa que não tenha ocorrido uma descarga de raio positivo, pois a distância entre a trovoada e o local da descarga é de dezenas de quilómetros.

 

A imagem abaixo do Meteosat mostra a instabilidade às 14:00 UTC do dia 17 de junho, onde se pode verificar a formação de nuvens de evolução que dão origem a trovoadas na proximidade da zona do GIF de Pedrógão Grande.

Fonte: EUMETSAT

Considerando os registos meteorológicos do Meteosat referente à queda de raios, observamos que no dia 17 de junho de 2017, ocorreu precisamente na zona do incêndio, por volta das 1345 UTC, uma descarga de raio positivo. O horário registado pelo popular entrevistado pelo Semanário Expresso refere-se às 14:38, isto é 13:38 UTC +1, ou seja, muito próximo dos registos da agência EUMETSAT através do satélite Meteosat.

Fonte: https://www.lightningmaps.org

 

Fonte: https://www.lightningmaps.org

Sendo assim, a afirmação do Diretor da Polícia Judiciária com base em evidências físicas encontra-se bem fundamentada: «“A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues.». Sendo um raio positivo, muito provavelmente não se tenha ouvido o trovão dada a distância à nuvem.

HORA DO ALERTA

 

Igualmente, segundo fontes oficiais e já divulgadas nos media pela ANPC, o Alerta foi dado às 14:43 (13:43 UTC +1), um tempo muito aproximado ao referido na informação relatada na referida notícia. Se observarmos os dados do sensor VIIRS a bordo do satélite Suomi-National Polar-orbiting Partnership (S-NPP), o qual permite a deteção de focos ativos a 375 metros de resolução espacial, este detetou às 13:42 UTC do dia 17 de junho um foco ativo muito próximo do local do ponto provável de início do incêndio.

 

Dado o estado fenológico e a disponibilidade de combustível, bem como as condições meteorológicas nesse período, o fogo facilmente se propagou, alcançando uma elevada intensidade e alta velocidade de propagação. Pelo que foi possível em poucos minutos ser detetado pelo sensor VIIRS. Importa referir que o desvio mais a norte do local do início provável de incêndio deve-se ao calor emanado na cabeça do incêndio e da própria coluna de fumo.

 

Considerando os dados de registos espaciais, estes permitem fundamentar as declarações das entidades oficiais, pelo que existem fortes evidências para a «tese meteorológica». 

 
Por: Emanuel de Oliveira in Fogos Florestais

Artigo sobre os incendios de Pedrogao do Prof Jorge Paiva

A partir de meados do século passado (XX), muitos pinhais foram substituídos por eucaliptais e eucaliptaram-se muitíssimas outras áreas. Os eucaliptos interessam mais às celuloses por serem árvores de crescimento mais rápido do que os pinheiros. Nas últimas décadas incrementaram-se tão desenfreadamente as plantações de eucaliptos que se criou em Portugal a maior área de eucaliptal contínuo da Europa.

Com as montanhas ocupadas por eucaliptais, deu-se o êxodo rural pois, como os eucaliptos são cortados periodicamente de dez em dez anos, o povo não fica dez anos a olhar para as árvores em crescimento sem ter mais nada que fazer. Assim, o povo, além do abandono rural a que foi “forçado”, ficou ainda numa dependência económica monopolista, um risco para o qual não é, nem nunca foi, alertado. Desta maneira, as nossas montanhas passaram a estar cobertas por florestas mono-específicas, com árvores altamente inflamáveis (o pinheiro por ser resinoso e o eucalipto por ter produtos químicos aromáticos, arremessando ramada inflamada à distância, por esses produtos serem voláteis e explosivos). Por isso, designo este tipo de floresta por ignisliva (do latim ignis=fogo e silva=floresta), ou melhor, por sugestão da Prof. Maria de Fátima Silva, hilépiros (do grego hyle=floresta e pyr=fogo) ou xilópiros (do grego xylon=madeira e pyr=fogo). Como estamos habituados ao termo laurisilva, talvez seja melhor adoptar ignisliva para a floresta que agora temos. Mas, como há muito designo por piroverões os Verões que temos tido há umas décadas, talvez prefira o termo xilópiros, pois temos estado a plantar floresta para termos madeira para arder.

Quando a floresta era de pinhal continuo, os Serviços Florestais controlavam-na e não tínhamos Verões com tantos incêndios, nem tão devastadores. A partir da década de 80 do século passado, governos sucessivos resolveram não só acabar com os Serviços Florestais, como também delapidaram toda a técnica (material e humana) existente, assim como todo o património construído (as designadas Casas dos Guardas Florestais). Por outro lado, como já foi referido, deu-se a desumanização do meio rural, além do abandono a que foram votadas as montanhas pela diminuição de técnicos florestais. Sem profissionais florestais habilitados (engenheiros florestais e silvicultores, técnicos e guardas florestais), não só se pinheirou e eucaliptou sem regras, criando-se áreas contínuas e contíguas da dita floresta ígnea.

Passámos então a ter Verões com incêndios devastadores (os tais piroverões) e risco de transitar em determinadas estradas, ladeadas desse tipo floresta durante muitos quilómetros sucessivos. Há concelhos perigosíssimos, como aqueles aonde agora aconteceu a última desgraça. Assim, quando amigos meus estrangeiros querem visitar Portugal viajando de automóvel, indico-lhes os concelhos por onde não devem transitar (neste devastador incêndio morreu um francês). É só irem ao Google e verem como estão muitas estradas (nacionais e municipais) para se capacitarem de que não só não estou a mentir, como também para se acautelarem. Actualmente, em Portugal, corre-se o risco de ser incinerado numa estrada.

Na minha opinião, enquanto não efectuarem o ordenamento do território, não criarem novamente Serviços Florestais e os apetrecharem tecnicamente e com profissionais habilitados, nunca vamos deixar de ter piroverões. Não é com voluntários que o problema se resolve, mas com profissionais e no terreno TODO O ANO. Podem dizer-me que os Serviços Florestais eram uma estrutura muito “pesada” (onerosa) e que exigia muito pessoal habilitado. Mas, conheço muita estrutura política “pesadíssima” e com pessoal a mais, mas a que nenhum governo conseguiu pôr fim a tal despesismo DESNECESSÁRIO. Bastam alguns exemplos. A Madeira tem uma superfície de 741 km2 e tem 11 câmaras. O Algarve tem uma superfície de 4.997 km2 (mais do que seis vezes a da Madeira) e 16 Câmaras. Portanto, a Madeira deveria ter apenas duas câmaras (seria uma diminuição brutal de pessoal e estruturas). Ainda por cima tem uma Assembleia Legislativa com 47 deputados. A Região Autónoma da Madeira é “pesadíssima” comparada com os Serviços Florestais. Temos imensas freguesias com menos de 5000 habitantes. Que desperdício em pessoal político e burocrático. E argumenta-se que os Serviços Florestais - a única estrutura profissionalizada e habilitada para gerir a floresta e evitar incêndios - teve que ser suprimida por ser muito “pesada”!!!... - artigo do Prof. Jorge Paiva.
 O artigo na íntegra foi publicado no Público.

Um fedelho à Relvas

Foi verdade sim senhor.
O rapazinho, um jotinha com boa argumentação, engravatado, limpinho educado numa das madrassas do Portas/Relvas/ Passos/Cavaco, com o tapete estendido na frente argumentou em estilo neo-liberal que era possível fazer melhor.
Os argumentos dele eram um fogo fátuo sem qualquer fundamento. Gostava de saber se o fedelho ainda mantém o negócio florescente que apresentou na altura.
Foi este e foi um outro papagaio de Braga pago pelo relvas que também foi ...a um debate do Prós e Contras mostrar que era possível vingar em tempos de crise.
Todos sabemos que sim mas o número dos que vingam em tempo de crise é sempre infímo em relação aos que dificilmente conseguem sequer garantir o seu sustento e dos seus familiares.
Além de que a grande maioria dos que vingam fazem-no pisando e passando por cima dos outros, ou porque os papás lhe fazem a papinha e lha põe na boca.
Com as botas do meu pai, aos seis anos eu já era um homem.
Já nos anos 40/50/60 enquanto meia dúzia enriqueciam e compravam a hipoteca de casas e terrenos, os outros definhavam na penúria.

Incêndios

Na minha profissão de electricista da construção civil sempre me questionei sobre o que poderia acontecer se um incêndio de grandes dimensões deflagrasse num dos tantos prédios que electifiquei.
Autenticas colmeias sem condições de fuga para dezenas ou centenas de pessoas encurraladas, o desfecho iria ser certamente catastrófico.
A grande maioria dos incêndios em edificio altos são provocados pelas condições de segurança das instalações eléctricas.
"Sei do que falo"
As inst...alações eléctricas de edifícios com grande envergadura e com grande potência instalada deviam ser inspeccionados no minimo de cinco em cinco anos por profissionais competentes, analisados reapertos e dimensões de barramentos, quadros, protecções individuais, colectivas e rede de terras.
Isto não é feito.
Em Lisboa, bairros como Olivais, Chelas, Sto antónio dos Cavaleiros, Reboleira e muitos outros que conheço bem, nunca souberam o que era uma vistoria após a sua construção há 40, 60 ou mais anos.
Há pouco tempo pediram-me para ver se conseguia perceber o que se passava num prédio em que em alguns momentos a corrente quase desaparecia para logo de seguida voltar em força queimando lâmpadas, televisões, leitores, computadores, frigorificos e outros electrodomésticos.
Como o prédio tinha cerca de cinco anos de construção aconselhei a chamarem o construtor de imediato e responsabilizá-lo pela manutenção.
Porque o assunto era grave.
Claro que: Em defesa do código deontológico do electricista não vou dizer qual era a avaria e onde se encontrava localizada.

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